A jornada do herói chega ao fim

Tudo começou em 1999, quando Dougray Scott o preferido para viver Wolverine naquele que seria o primeiro filme de super-herói moderno, teve que se desfazer do papel pra continuar as gravações de Missão Impossível II. O substituto de Dougray acabou sendo um ator australiano de teatro musical, seu nome: Hugh Jackman.

Apesar dos problemas que essa primeira produção passou, o filme foi um sucesso de critica e bilheteria, abrindo portas pra todas as adaptações de quadrinhos que se seguiram na década seguinte e tornando o desconhecido Hugh Jackman o novo astro de Hollywood. X2 – United (Título original de X-men 2) foi um sucesso ainda maior, X-men 3 que tinha por objetivo encerrar a saga mutante deu ainda mais protagonismo pro Hugh e seu Wolverine, se saiu melhor comercialmente que seus anteriores, mas foi execrado pela crítica e principalmente pelos fãs. Hugh já era o rosto de franquia e lhe foi prometido um filme solo contando as origens do Wolverine. Em 2009 foi lançado X-men Origens: Wolverine, que conseguiu ser ainda pior que seu antecessor. Cheio de clichês e efeitos não finalizados, Wolverine se torna um coadjuvante no seu X-men Origens. Acontece que ainda havia histórias do carcaju a serem contados na tela grande. A principal era “Eu, Wolverine”, história de Chris Claremont e Frank Miller que narra uma passagem de Logan no Japão para reencontrar um antigo amor e enfrentar uma clã de ninjas liderados pelo pai dela. Bastante diferente de sua obra oriunda, Wolverine: Imortal (2013), é muito, muito superior ao seu anterior e entrega sequências excelentes, dignas dos quadros de Frank Miller, garantindo que o diretor James Mangold voltasse naquele que seria o último filme de Hugh Jackman como Wolverine.

Depois de participar de 3 filmes dos X-men e protagonizar outros 3 e mais duas aventuras solos, Hugh Jackman se despede do personagem em Logan (2017). Seu melhor trabalho até aqui e o mais comovente filme dos mutantes. Alguns já podem o considerar seu filme preferido dos X-men. Justo.

2029, um velho Logan que ganha alguns dinheiro trabalhando como motorista de limusine cuida, com a ajuda de Caliban, de um professor nonagenário e deverás debilitado. Sua rotina muda quando Donald Pierce, líder dos Carrascos, o adverte sobre uma mulher que cuida de uma garotinha do qual ele seria responsável. Em pouco tempo Logan é surpreendido por essa mulher que quer contratá-lo pra fazer uma viagem que atravessa o país e assim salvar ela e sua filha, Logan se recusa apesar do alto valor lhe oferecido.  Mas quando menos espera ele se vê obrigado a salvar a garotinha e o Professor Xavier, atravessando o país e fugindo de uma perseguição que Pierce e seus Carrascos empregam a seu encalço.

Como já dito, Hugh Jackman mostra aqui seu melhor trabalho nas telas, finalmente graças a censura +18 ele pôde usar as garras como sempre deveria ter feito, mais que isso, ele mostra uma maturidade e cansaço da sua personagem que nos 8 filmes anteriores não mostrou, ao mesmo tempo em que demonstra uma disposição enorme em usar as garras uma última vez mais, de forma icônica.


Patrick Stewart não fica atrás, sua interpretação é digna de uma indicação ao Oscar, seu Professor Xavier sofrendo de Alzheimer passa transparece uma carência, uma dependência, de um idoso extremamente debilitado. Perfeito. Ao mesmo tempo que consegue ser engraçado e se relacionar amistosamente com todos os companheiros, principalmente com Laura, a clone de Wolverine, eu que até então preferia James McAvoy como Professor X, dou o braço a torcer para a estupenda atuação de Stewart.

E falando em Laura, a novata é a maior surpreso num x-filme desde o Mercúrio em Dias de um Futuro Esquecido, sua atuação muda em 90% da película só a tornam mais interessante, e quando é pra usar suas garras, ela o faz com mais gana que o próprio Logan. A menina é o capeta, digo de forma elogiosa, um filme com ela não seria de todo mau.


A respeito dos vilões é que encontramos um incômodo do filme. Donald Pierce é um cara sem escrúpulos, bandidaço com orgulho mesmo, se ele fosse o comandante de tudo, seria perfeito, acontece que ele é um subordinado de um cara chamado Zander Rice, que aparece da metade pro final, fala manso e tem medo de suas próprias crias. Os carrascos também, a única coisa que assusta neles, é a quantidade, centenas, quiça milhares que perseguem Logan e os demais, pois no primeiro arranham que levam, tombam. De nada adianta seus braços de metais. A novidade fica por conta do nêmesis de Wolverine, criado especialmente pro filme, que faz lembrar imediatamente a luta de T-800 contra o T-1000 em Exterminador de Futuro 2. Agoniante.

Lembrando obras como Os Imperdoáveis (1992) e Filhos do Amanhã (2006), Logan é um deleite para os olhos daqueles que estavam cansados da mesmice nos filmes de herói ou não esperavam mais nada de um filme dos X-men. Um drama melancólico (que talvez canse o telespectador comum) com personagem críveis e banhado de sangue sem medo em usar suas garras literalmente. Logan é o melhor filme dos X-men, o melhor terceiro filme das trilogia de heróis, com um final corajoso e um belíssimo exemplo para aqueles que buscam inovar no gênero. Uma obra-prima!

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